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Entendendo o crédito e a análise de risco

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Ouvimos o termo “crédito” tantas vezes durante o dia, mas talvez não tenhamos a dimensão da sua importância, seja para a compra de um sapato em uma loja, seja para o financiamento da casa própria, ou seja ainda, para fazer a comida chegar nas nossas mesas. Em alguma medida, quase todo agente econômico usa algum tipo de crédito.

Que tal conhecermos um pouco mais sobre crédito e sobre sua análise?

Sim, o crédito é uma das engrenagens que possibilita o funcionamento de quase todas as atividades produtivas e de consumo do mundo, em alguma medida. No mercado financeiro, por exemplo, o tamanho do mercado de crédito é maior que o de ações.

O termo crédito vem do latim e significa “crença ou confiança”. É uma definição bem adequada pois toda operação de crédito envolve um determinado grau de confiança.  Para manter a simplicidade da explicação, enquanto maior a confiança menor tende a taxa de juros da operação.

Imagine um banco com dois clientes. Os dois clientes precisam de crédito e procuram esse banco. Um cliente é bom pagador e o outro tem atrasos e histórico de inadimplência. O banco precisa ganhar juros com seus recursos, e aceita fazer os empréstimos, porém cobra uma taxa maior do cliente com histórico pior, justamente por oferecer maior risco. Mesmo que de maneira impessoal, há uma relação de confiança entre as partes, seja ela maior ou menor.  

Do ponto de vista de quem empresta, o banco no nosso exemplo, é uma operação de investimento, pois o seu dinheiro está sendo rentabilizado pelo juro que o tomador irá pagar. Para quem tomou o crédito há recurso extra.

Esse exemplo é para chamar atenção para a importância do ato de dar crédito: De um lado há governos, pessoas ou empresas (de todos os tamanhos), que nem sempre terão todo o recurso financeiro para seus projetos. De outro lado, há participantes da economia com capital “de sobra” e que podem rentabilizar esse capital através de investimentos, o que inclui operações de crédito.

Perceba que a que sobra de dinheiro para uma pessoa, empresa ou governo vira recurso para outro agente econômico que precisa do recurso.

A pergunta que surge é: como saber o risco das operações de crédito? Como saber se a relação de risco e retorno está adequada? É aqui que entra a análise de crédito.

Veja algumas curiosidades sobre o crédito:

O Código de Hamurabi, de 1800 a.C., famoso pelo “olho por olho, dente por dente” já tinha previsões sobre realização de crédito e também estipulava taxas de juros máximas.

Durante a Idade média e a era das grandes navegações, a Igreja Cristã considerava a usura (o ato de receber juros por dinheiro emprestado) como um pecado, tanto que os grandes financiadores das navegações eram estrangeiros ou pessoas de outras crenças, que não possuíam essa regra sobre a usura. Um exemplo dessa relação pode ser vista na peça O Mercador de Veneza, de ninguém menos que William Shakespeare.

Em 1919 a General Motors foi uma das pioneiras na cessão de crédito para consumidores das primeiras gerações de carros. O consumidor pagava uma entrada e o restante em prestações, algo que é corriqueiro para vários bens de consumo atualmente.

Até hoje, em países árabes que tem forte influência da Lei Islâmica, a usura é proibida, tanto que existe uma estrutura bancária especial conhecida como “sistema bancário árabe” que realiza operações de “crédito” através de outros meios.

A depender da modalidade de crédito, alguns elementos específicos da análise de credito são necessários, por isso vamos mencionar os mais comuns, que são comuns a todas elas. Um dos modos mais conhecidos é o do “4 Cs” do crédito: colaterais, caráter, cláusulas e capacidade. Cada “C” é uma dimensão que pode ser analisada para delinear o risco na realização da operação de crédito.

Colaterais: São as garantias colaterais para o empréstimo, no caso de inadimplência. Por exemplo, um imóvel da empresa como garantia.

Caráter: Tange ao perfil do tomador de crédito. Por exemplo: “Essa empresa tem boa reputação?”; “Essa empresa toma decisões de negócio arriscadas/conservadoras demais?”, etc…

Cláusulas: Refere-se a força do contrato e as possíveis ações a serem tomadas.

Capacidade: refere-se à capacidade financeira do tomador pagar o empréstimo.

Há outros fatores que também entram na análise, como concorrência, cenário econômico, relacionamento entre as partes, a taxa/tipo de remuneração e amortização, a veracidade das informações e etc.

Ao contrário de que muitos acreditam, a análise de crédito não serve para constranger os limites de crédito. A análise de crédito é essencial para adequar limites, oferecer soluções coerentes e realizar negócios com maior segurança. Um tomador com boa capacidade, por exemplo, pode ter taxas melhores e mais opções para captar recursos.

Lembre-se, enquanto maior o risco, maior é a rentabilidade esperada pela parte que cedeu o recurso. Basta se colocar no lugar no investidor: se vou correr mais riscos e ter mais incertezas, quero ter mais recompensa por isso. Na antecipação de recebíveis, por exemplo, o risco da inadimplência passa a ter como co-responsável quem adquiriu o título.

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